Introdução
Há uma lesão que vejo com enorme frequência nas minhas consultas e que, apesar de muito comum, continua a surpreender os pacientes quando é diagnosticada: a rotura do menisco. A maioria das pessoas nunca ouviu falar do menisco até ao momento em que o seu joelho começa a dar sinais. E quando isso acontece, as dúvidas surgem todas ao mesmo tempo: o que é? Preciso de operar? Quanto tempo vou estar parado?
Neste artigo quero responder a essas perguntas com clareza. A dor no joelho é uma das queixas mais frequentes em ortopedia, e a lesão do menisco é uma das suas causas mais comuns, tanto em pessoas jovens e ativas como em adultos mais velhos. Conhecer bem esta estrutura é o primeiro passo para perceber o que está a acontecer e o que pode ser feito.
O que é o menisco e porque é tão importante?
Quando explico o menisco aos meus pacientes, uso sempre a mesma imagem: imaginem uma palmilha de cartilagem colocada entre os dois ossos principais do joelho. É exatamente isso. Cada joelho tem dois meniscos, o interno e o externo, e ambos têm um papel fundamental no funcionamento da articulação.
As suas funções principais são absorver o impacto que o joelho recebe a cada passo, distribuir o peso de forma uniforme pela articulação e contribuir para a estabilidade do joelho durante o movimento. Quando o menisco está íntegro, faz tudo isto de forma invisível. Quando está lesionado, o joelho deixa de funcionar bem, e o paciente começa a sentir isso no dia a dia.
A rotura do menisco pode acontecer de formas muito diferentes. Nos pacientes mais jovens, surge frequentemente por um movimento brusco de rotação, numa situação desportiva ou numa queda. Nos pacientes mais velhos, pode ocorrer por desgaste progressivo, por vezes sem qualquer traumatismo evidente. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: uma estrutura que deixa de cumprir a sua função e que, se não for tratada adequadamente, pode comprometer seriamente a qualidade de vida.
Sintomas de rotura do menisco
Na minha experiência, os sintomas de uma lesão do menisco raramente são ignorados durante muito tempo. O joelho faz questão de se fazer notar. Os mais frequentes são:
- Dor no joelho, especialmente ao rodar, agachar ou subir escadas;
- Sensação de bloqueio ou de que o joelho “trava” a meio de um movimento;
- Inchaço da articulação, que pode aparecer logo após a lesão ou desenvolver-se gradualmente;
- Dificuldade em esticar completamente o joelho;
- Sensação de instabilidade, como se o joelho pudesse ceder.
É também muito frequente que os pacientes descrevam dor no joelho ao caminhar, especialmente após esforço ou no final do dia. Este é muitas vezes o primeiro sinal que leva à consulta, e bem que fazem em não o ignorar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de uma lesão do menisco começa sempre pela conversa. Quando um paciente entra no meu consultório, quero saber como começou a dor, em que circunstâncias surgiu, o que a alivia e o que a agrava. Esta história clínica é, muitas vezes, mais reveladora do que qualquer exame.
Depois, faço a avaliação física do joelho, que inclui um conjunto de testes específicos para avaliar o menisco, a estabilidade ligamentar e o estado geral da articulação. Com base nessa avaliação, decido se são necessários exames complementares:
- Ressonância magnética: é o exame mais útil para confirmar a lesão do menisco e perceber a sua extensão;
- Radiografia: importante para avaliar o espaço articular e excluir outras causas de dor no joelho.
A ressonância é um exame excelente, mas não substitui o raciocínio clínico. Já vi casos em que a imagem mostrava alterações meniscais e o paciente não tinha sintomas relevantes, e o contrário também acontece. O diagnóstico é sempre uma soma de informação.
Tratamento da rotura do menisco
Esta é a parte do artigo que mais interessa aos pacientes, e percebo porquê. A primeira pergunta é quase sempre: “Tenho de operar?” E a resposta honesta é: depende.
Tratamento conservador
Nem todas as lesões do menisco necessitam de cirurgia. Em muitos casos, uma abordagem conservadora é suficiente e adequada, especialmente em roturas de pequenas dimensões, em lesões degenerativas associadas à idade ou em situações em que os sintomas são controláveis.
O tratamento conservador inclui fisioterapia dirigida ao fortalecimento muscular e à recuperação da mobilidade, controlo da dor e da inflamação com medicação adequada e adaptação temporária da atividade física. Em casos selecionados, as infiltrações podem também ter um papel importante no controlo dos sintomas.
Tratamento cirúrgico
Quando o tratamento conservador não resulta, quando a dor no joelho persiste apesar das medidas adotadas, ou quando o bloqueio mecânico impede o movimento normal, a cirurgia torna-se a opção mais adequada.
A intervenção é realizada por artroscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmara para aceder ao interior do joelho. Dependendo do tipo e localização da lesão do menisco, pode ser feita a sutura do tecido, com o objetivo de o preservar, ou a remoção parcial da zona danificada. A decisão é sempre individualizada e baseia-se na avaliação completa de cada caso.
Quando deve procurar um especialista?
Há sinais que não devem ser ignorados. Recomendo uma avaliação sempre que:
- A dor no joelho persiste há mais de duas semanas sem melhoria;
- O joelho inchou, com ou sem causa aparente;
- Sente o joelho a travar ou a ceder durante o movimento;
- A dor está a condicionar as suas atividades habituais ou o sono;
- Já tentou repouso e anti-inflamatórios sem resultado duradouro.
Um diagnóstico feito a tempo faz uma diferença real no prognóstico. Na nossa prática clínica, recebemos regularmente pacientes de Leiria, Santarém e Torres Novas com lesões do menisco que, tratadas na fase certa, têm uma recuperação muito mais rápida e completa do que quando o problema é adiado.
Perguntas frequentes
Uma lesão do menisco precisa sempre de cirurgia? Não. Muitas roturas, especialmente as degenerativas, respondem bem ao tratamento conservador. A cirurgia é indicada quando há bloqueio, dor persistente ou quando o tipo de lesão não tem capacidade de cicatrização espontânea.
Quanto tempo demora a recuperação? Depende do tratamento. Com abordagem conservadora, algumas semanas podem ser suficientes. Após cirurgia, a recuperação varia entre 4 a 6 semanas numa meniscectomia parcial, e 3 a 4 meses numa sutura do menisco, onde é necessário proteger o tecido durante a cicatrização.
Posso continuar a fazer exercício com uma lesão do menisco? Depende da gravidade e do tipo de lesão. Em alguns casos, atividades de baixo impacto como natação ou bicicleta são bem toleradas. Noutros, é necessária uma pausa temporária. A avaliação individual é essencial para tomar essa decisão com segurança.
A dor pode desaparecer sozinha? Algumas situações melhoram, sobretudo as de menor gravidade. Mas uma dor persistente no joelho, especialmente acompanhada de inchaço ou bloqueio, raramente resolve sem tratamento adequado.
Conclusão
A rotura do menisco é uma lesão frequente, mas não tem de ser uma limitação permanente. Com o diagnóstico certo e o tratamento adequado ao perfil de cada paciente, é possível recuperar a função do joelho e regressar às atividades do dia a dia com qualidade de vida.
Se se reconhece nos sintomas descritos neste artigo, não adie a avaliação. A equipa U-MUV integra especialistas em cirurgia do joelho com atividade clínica nas regiões de Leiria, Santarém e Torres Novas, e está disponível para o acompanhar desde o diagnóstico até à recuperação.
Dr. Levi Reina Fernandes
Ortopedia e Traumatologia, com subespecialização em Cirurgia do Joelho. Membro da equipa U-MUV.